Particularmente para mim esse trabalho foi um grande desafio, pois de todas os grupos sociais que eu possa ter que trabalhar durante ou após a minha formação, pessoas em situação de rua são os que mais tenho pesares. Creio que a grande parcela se deve à vários estigmas repassados pelos meus grupos de referência, onde estas pessoas muitas vezes são vistas de forma equivocadas. Tendo que sair da minha zona de conforto em diversas ocasiões para conseguir completar a tarefa de finalizar o trabalho, me vi a cada saída a campo eu sendo colocada a prova e voltando sempre com novos questionamentos e reflexões sobre o que eu acreditava ser certas verdades e o que era real perante mim.
Enxergar a todos como eles são e como eu sou (iguais em contextos diferentes), descer do meu pedestal e me colocar a pé de igualdade com eles, conversar no mesmo nível olhando nos olhos, sendo sincera com eles para que eles fossem sinceros comigo, criando vínculo a cada frase, ver eles não me olhando como uma burguesa boba, mas como aquela que sentou ao seu lado para te ouvi, sem na verdade ter muito a dizer, estar disposta a aprender o que eles quisessem me ensinar, esse foi o maior ganho com esse trabalho. Sei que não desconstruí nem metade do que tenho aqui dentro de milhares de preconceitos, mas acredito que foi um passo dado na direção que eu como futura profissional da área da saúde preciso dar.
Estou extremamente satisfeita, talvez não com o resultado da minha pesquisa, pois aconteceram muitas coisas no decorrer dela, fui frustrada várias vezes em vários momentos, mas não deixei de acreditar que seria possível fazer acontecer, mesmo que não do jeito que eu queria que fosse, mas do jeito que os "outros" me levaram a fazer acontecer esse trabalho.
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| Artesanatos realizados em palha feitos pelos indivíduos abordados. |
